sexta-feira, 16 de março de 2007


A Varicela chegou à Sala da Alegria...

Pois é...nem sei quantos meninos ao certo terei na 2ªFeira...esta semana tem sido...Bom, cada dia um menino a ir para casa com sinais de varicela...e hoje foram logo 4!
Como existem muitos mitos relacionados com esta doença...aqui fica alguma informação relevante...Espero que vos seja útil!




O que devo fazer se penso que o meu filho tem varicela?

Se pensa que o seu filho foi infectado, consulte de imediato o seu médico. O diagnóstico desta doença é normalmente simples, e quanto mais cedo a varicela for identificada, mais cedo um tratamento poderá ser considerado. Tratar precocemente a doença é importante, para reduzir os sintomas da criança. A maioria das crianças com varicela não tratada desenvolve uma média de 200 a 300 vesículas durante o curso da doença.


O que é a varicela?

A varicela é uma doença de infância muito vulgar, todos os anos afecta dezenas de milhar de crianças em Portugal, especialmente durante o Inverno e Primavera. É causado pelo vírus varicela-zoster, um membro da família do vírus herpes, o mesmo que causa herpes zoster (zona).
Uma vez debelada, a varicela normalmente não reaparece, no entanto, o vírus permanece alojado no tecido nervoso como que adormecido (não activo), podendo reactivar-se mais tarde, causando zona.


A varicela é perigosa?

Quando se detectam os primeiros sintomas�É difícil prever até que ponto a varicela do seu filho poderá ser grave.
Apesar da doença não ser normalmente perigosa em crianças saudáveis, causa mal-estar e pode levar ao absentismo das crianças à escola e dos pais ao emprego.
Em crianças mais velhas e em especial nos adultos, os sintomas são geralmente mais graves e podem originar outros problemas.


Existem complicações associadas à varicela?

Apesar de raras, podem ocorrer infecções bacterianas, encefalite e pneumonia.


Quais são os sintomas da varicela?

O primeiro sintoma é a febre ligeira. Um ou dois dias mais tarde aparecem manchas vermelhas normalmente primeiro no couro cabeludo e espalhando-se mais tarde pela cara, tronco, axilas, braços, pernas, boca e por vezes na traqueia e brônquios.
A criança pode também queixar-se de dores de cabeça, dores de garganta, dores de estômago, cansaço e perda de apetite.


Qual o aspecto das borbulhas?

São pequenas e vermelhas, provocam comichão e transformam-se em bolhas num curto espaço de tempo (poucas horas). Estas bolhas cheias de líquido (vesículas) secam e formam crostas em alguns dias.


Quanto tempo duram as borbulhas?

Normalmente ao fim de 5 dias deixam de aparecer novas borbulhas. A maioria forma crosta em 6 a 7 dias.


As borbulhas deixam cicatrizes?

Por vezes. É mais provável a formação de cicatrizes se as borbulhas infectarem.
É importante evitar, dentro do possível, que a criança se coce para prevenir a infecção das borbulhas e o aparecimento de cicatrizes.


Como posso impedir que o meu filho coce as borbulhas?

Mantenha as borbulhas limpas e secas, use loções calmantes e dê banhos de água morna de 4 em 4 horas nos primeiros dias. Limpe a criança aconchegando a pele, evitando esfregar. Deve manter as unhas da criança curtas para prevenir eventuais infecções e cicatrizes.


E os meus outros filhos? Devo mantê-los afastados do que tem varicela?

Se os seus outros filhos ainda n�o tiveram varicela, existe uma elevada probabilidade (80 a 90%) de contágio pelo irmão.
Se forem saudáveis, é geralmente melhor que tenham a doença já. Assim estarão protegidos de contrair varicela mais tarde, podendo a doença ser então mais grave.
Se o seu filho tem problemas de saúde e foi exposto à varicela, consulte o seu médico imediatamente.




Posso contrair varicela a partir do meu filho?

Sim, se nunca teve a doença antes. No entanto, a maioria das pessoas teve varicela antes dos 10 anos.
Se nunca teve varicela, ou não tem a certeza, deve sempre que possível, evitar o contacto com a criança infectada.
Contacte o seu médico assim que possível se acha que foi exposto ao vírus.



Existem outras situações em que a varicela pode ser perigosa?

A varicela é uma doença grave nos adultos. Uma mulher grávida pode estar sujeita a um risco ainda mais elevado no que respeita ao aparecimento de complicações, devendo evitar a exposição à doença, devido ao risco que isso constitui para o feto.
A varicela é também grave para aqueles com um sistema imunitário enfraquecido.


Devo manter o meu filho afastado e um adulto infectado com varicela?

Pelas razões expostas anteriormente, se o seu filho for saudável, provavelmente será melhor permitir a sua exposição ao vírus da varicela, através do contacto com a pessoa infectada.
O vírus que infecta a criança é o mesmo que infecta o adulto.


Como ocorre a transmissão da varicela de uma pessoa para outra?

O vírus é transmitido pelo ar, quando a pessoa infectada tosse, espirra, ou fala, ou pelo contacto com as lesões do doente.


Qual o período de incubação?

Cerca de 14 a 15 dias contados a partir do contacto com a pessoa infectada.


Durante quanto tempo a varicela pode ser transmitida a outra pessoa?

A varicela é contagiosa, desde aproximadamente 10 dias após a criança ter sido contagiada, até todas as bolhas se transformarem em crostas.


Qual é o tratamento para a varicela?

Existe um medicamento específico para a varicela, que ajuda de forma substancial a redução da duração da doença, permitindo que a criança se sinta melhor num espaço de tempo mais curto.
Lembre-se que apenas o médico pode determinar se este medicamento é ou não o mais indicado para o seu filho.
Tenha também em atenção que o tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível.
Alguns medicamentos podem ser utilizados para combater os sintomas da doença, no entanto não diminuem a sua duração.
O ácido acetilsalicílico não deve ser usado no tratamento da febre e dores durante a varicela, em crianças.


Outros cuidados

Se a criança apresentar lesões na boca, pode ter dificuldade em se alimentar.
Nesta situação deve dar-lhe bebidas frias e alimentos moles e fáceis de engolir.
Evite tudo o que seja ácido, como sumo de laranja, ou salgados.
As lesões na área genital podem ser dolorosas. Cremes anestésicos podem ser indicados nestas situações. Aconselhe-se junto do seu médico.


Outras questões?

Se tiver alguma dúvida que esta informação aqui apresentada não esclareça, coloque-a ao seu pediatra.


Adaptado de folheto informativo da Sociedade Portuguesa de Pediatria e Centro de Documentação e Informação de Medicamentos - Associação Nacional das Farmácias - Setembro 2000



Postais para os melhores papás do Mundo...



segunda-feira, 12 de março de 2007



Pré-escolar - Entrevista com Lilian Katz



O pré-escolar pode fazer diferença na vida dos mais novos, ensinando-os a crescer, mais do que a aprender as primeiras letras ou números. Aos pais ansiosos, a investigadora norte-americana lembra que nem todos os meninos serão felizes a pilotar um foguetão.

Por Bárbara Wong (textos) e Diana Quintela (foto)


Lilian Katz, professora e investigadora começou a interessar-se pelo pré-escolar quando os três filhos, que nasceram no espaço de dois anos e meio, o frequentaram. Na cooperativa de ensino, na Califórnia, EUA - como mãe -, tinha de auxiliar a educadora, de vez em quando, e apaixonou-se pelo trabalho. Antes, estudara Ciências Políticas e Línguas, sabe francês, alemão, russo e está agora a aprender espanhol.
Durante 36 anos, foi professora na Universidade de Illinois. Esteve à frente de um centro de informação nacional sobre ensino pré-escolar para educadores e pais, durante 33 anos. É conhecida no mundo do pré-escolar pelas centenas de artigos e livros sobre a matéria. Este mês, fez uma paragem em Portugal para dar a lição inaugural do mestrado em Educação de Infância e Desenvolvimento, na Escola Superior de Educação de Lisboa.

PÚBLICO - Esteve em Portugal há 11 anos. Que diferenças nota no ensino pré-escolar?

Lilian Katz - Já dei conferências em 56 países e esta é a quarta vez que venho a Portugal. Tenho a impressão que houve um aumento e melhoria das condições do pré-escolar. Há mais escolas, mais crianças a frequentá-las.

P - Quais são as condições ideais para que as crianças tenham um bom pré-escolar?

R - Em primeiro lugar, é preciso ter pessoal de qualidade, professores e vigilantes que não pensem que a sua função é tomar conta das crianças, dar-lhes de comer, limpá-las, porque a educação pré-escolar é mais do que isso. É preciso ter conhecimentos, competências, treino e uma formação ao nível do ensino superior. Em Portugal, essa formação existe.

P - É essa formação que faz diferença no pré-escolar?


R - Sim. A pesquisa feita nos últimos 30 ou 40 anos diz-nos que se o ensino pré-escolar não for de qualidade é uma oportunidade perdida. Por isso, faz toda a diferença fazer bem, nos primeiros cinco ou seis anos da criança. Claro que Portugal é um país desenvolvido, mas tem tido uma história de algum desinvestimento na área da educação. Por exemplo, faz-me alguma confusão o número de crianças por sala...

P - Qual seria o rácio mais indicado?


R - Um adulto para 12 crianças. Já vi classes com 25 a 30, que deveriam ser acompanhados por duas profissionais qualificadas. O que duplicaria o preço do pré-escolar e isso é um problema... Quando se fala de qualidade para crianças pequenas, falamos de um rácio menor. Em muitos países, o que se paga às educadoras é pouco e as profissionais vão e vêm.

P - Não criando um clima de estabilidade...


R - A estabilidade do pessoal é outro grande problema: as educadoras devem ser as mesmas, nos primeiros anos. Há casos de meninos com três e quatro anos em que, se soubermos o que fazer, a nossa acção pode fazer uma enorme diferença. Se não o fizermos, os seus problemas vão aumentar em espiral.

P- Por exemplo?

R - Conheci um menino de quatro anos que, quando falava, não se percebia o que dizia, por isso os outros não queriam brincar com ele. Como tinha pouco contacto com os colegas, também não tinha oportunidade de melhorar o modo como falava e o problema tornou-se uma "pescadinha de rabo na boca". Cabe ao adulto quebrar este ciclo. Nestas idades, as crianças são muito dependentes dos adultos, por isso temos de actuar quando elas são pequenas. Com quatro ou cinco anos, os miúdos já ganharam uma reputação, ou seja, os outros sabem dizer o que pensam dele e descrevem-no todos da mesma maneira. E se essa reputação for má, a criança tem de mudar de escola, começar tudo de novo até ganhar uma nova reputação.

P - Os materiais também podem fazer diferença na educação das crianças?

R - É bom ter os materiais adequados, mas não é tudo. O principal papel cabe ao educador, que deve envolver as crianças em investigações.

P - Como define "investigação" para crianças entre os três e os seis anos?

R - Uma vez, nos EUA, estive num centro, muito pobre, em Chicago, onde os meninos de cinco anos fizeram investigação sobre a quantidade de água que gastavam em casa. Fizeram quadros e matrizes. Nestas idades, as crianças adoram recolher dados, fazer sondagens, fazer perguntas... Às vezes as educadoras fazem uns projectos tontos e estes têm de fazer sentido para a vida dos mais novos, para que se interessem em desenvolvê-los.

P - E a partir da investigação, desperta-se o interesse para a aprendizagem das letras e dos números?

R - Sim, porque se os miúdos estão interessados e pedem à educadora: "Mostra-me como se escreve." Se querem contabilizar os litros de água, têm de saber os números. Há muitas profissionais a trabalhar desta maneira, mas isso exige muito delas. Encorajo pais e professores a distinguir o ensino académico - preparar-se para a escola e saber escrever as letras maiúsculas e já fazer umas frases - do desenvolvimento intelectual, através do qual ensinamos as crianças a ter o hábito de pensar. Nos projectos de investigação, as crianças conseguem usar competências académicas, noções precoces de matemática e de escrita, para servir os seus intuitos, para representar o que querem. E assim estão mais motivadas para aprender. Não têm de gostar, mas tem de fazer sentido para elas.

P - Se não gostarem, não poderão ficar desmotivadas?

R - Os meninos nem sempre conseguem gostar de tudo o que fazem. Nem sempre se consegue manter todas as crianças motivadas e interessadas. Não é possível, nem desejável. As crianças têm de aprender a fazer coisas de que não gostam. Não é bom para o seu crescimento que tenham tudo, nem que estejam sempre divertidas. Por vezes, os adultos subestimam a satisfação que as crianças têm, depois de fazer um trabalho mais difícil. Elas ficam felizes depois de resolver um problema. Faz parte do seu crescimento.

P - Os professores queixam-se de que os alunos chegam mal preparados. Que culpas podem ser atribuídas ao pré-escolar?

R - Há uma paranóia pedagógica! Os meninos têm de ser muito bem preparados no pré-escolar para ir para o 1º ciclo, para que os professores não se queixem... Não gosto de palavras como "standarts", "performance", porque não estamos numa fábrica a fazer sapatos. O modelo industrial não faz sentido aplicado à educação.

P - Como assim?

R - Há meninos que aos quatro anos já saberiam ler, mas que têm de esperar até aos seis. Até aos oito anos, as crianças deveriam estar em classes com várias idades. É assim na Suécia, um dos países mais desenvolvidos, e resulta. Se os alunos estiverem misturados, entreajudam-se e incentivam-se uns aos outros. "Redefinir Os Objectivos da Educação"

É natural que os pais queiram o melhor para os filhos, mas o excesso de competição é preocupante. Lilian Katz gostaria de ver redefinidos os objectivos da educação e diz que a arte é uma boa maneira de melhorar a qualidade de vida. De caminho, questiona a utilidade dos "rankings"
.
P - Muitos pais vivem obcecados com o sucesso escolar dos filhos. Uma preocupação que se reflecte logo nos primeiros anos de escola.

R - Com as crianças sobrecarregadas com actividades extra-curriculares e os pais a levarem tudo demasiado a sério. Eu sei...

P - Que espécie de geração estão esses pais a criar?

R - Há muita competição e é preocupante. Há um princípio que diz que só devemos ser competitivos sobre algo realmente importante e que não é suficiente para todos. É um problema enorme quando pressionamos todas as crianças para que sejam astronautas, conduzam foguetões, e eles não podem todos fazer isso. Para mim, é urgente redefinir os objectivos da educação, para saber como ajudar todas as crianças a desenvolver as suas capacidades, o mais possível, de maneira a aprenderem a viver plenamente.

P - Qual é o segredo para ter uma vida de qualidade?

R - A arte. Não se pode viver uma vida plena sem arte, ela dá-nos textura e forma e ninguém pensa nisso. Nos EUA, muitas escolas estão a deixar de ter música e expressão plástica e isso é um erro. A arte melhora a nossa qualidade de vida. As escolas podem fazer muito para introduzir a arte na vida das crianças, de forma natural, sem falar directamente de autores ou correntes.

P - Mas alguns pais têm medo que os filhos, em vez de serem os tais astronautas, queiram ser artistas...

R - O que pode fazer um pai se não encorajar e motivar o filho na direcção em que acredita que ele vai conseguir assegurar o seu futuro? Se não o fizer é irresponsável. Mas deve encorajá-lo a fazer o melhor, sabendo que nem todos serão astronautas.

P - Em Portugal, desde 2001 que se publicam "rankings" com base nos resultados dos exames do secundário. Os pais dos mais pequenos começam a preocupar-se com estes resultados; os que podem, querem matricular os filhos nas escolas bem posicionadas...

R - Mas quem é que os "rankings" ajudam? Não ajudam os que mais precisam. Pelo contrário: deve ser uma depressão para as escolas que ficam nos últimos lugares. Em 1830, no Reino Unido, os professores eram pagos consoante os resultados dos alunos, por isso pediam aos piores para ficarem em casa no dia da avaliação.

P - Qual é a solução?

R - Numa sociedade moderna temos de pensar quais são os principais objectivos para a educação, para que todas as crianças sejam contempladas. A educação pré-escolar pode fazer a diferença, mas pais e professores não devem esquecer que muitos meninos serão felizes se forem agricultores, em vez de astronautas

Público (02-11-04)

domingo, 11 de março de 2007

A Enurese Nocturna Primária

Saber o que é, quais são os sintomas e as causas da enurese nocturna primária é uma necessidade com que cada vez mais pais se deparam. A informação é a via mais rápida e a forma mais fácil de resolver este problema e ajudar o seu filho.

O que é a Enurese Nocturna Primária

A Enurese Nocturna Primária é a emissão involuntária de urina durante o sono, depois dos cinco anos de idade. Ser primária significa que a criança nunca deixou de fazer chichi na cama. Embora seja frequente pensar-se que a Enurese Nocturna se resolve com o tempo, o seu não tratamento afecta a auto-estima e socialização da criança. Tal pode provocar efeitos adversos no desenvolvimento harmonioso da criança e causar problemas psicológicos para toda a vida.

Por isso deve ser proporcionado um tratamento pronto e efectivo, prevenindo assim o sofrimento durante a infância, adolescência ou até mesmo na idade adulta. Contudo, apenas cerca de um terço das famílias com casos de Enurese consulta o médico. Em estudos que avaliaram a auto-estima de crianças enuréticas, antes e depois do tratamento, foi demonstrado que o pronto tratamento pode restaurar a auto-confiança.


Os sintomas de alerta

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O facto da criança entrar para a escola e continuar a fazer chichi na cama, com intervalos inferiores a seis meses, deve ser encarado como um sintoma de alerta. Mas, em geral, as crianças enuréticas molham a cama mais do que uma vez por noite.

Existem também casos a ter em atenção, como o nascimento de um irmão ou o divórcio dos pais, causas que podem provocar temporariamente episódios de Enurese na criança, normalmente denominados como Enurese Secundária.


As causas da Enurese Nocturna Primária

topo

A hereditariedade:

Os pais devem ter em atenção que esta disfunção tem uma grande prevalência hereditária. Assim, existe um índice de 44% de ocorrência de Enurese Nocturna se um dos pais foi enurético, e de 77% se ambos (pai e mãe) tiverem sido enuréticos.

Está também provado que uma criança que é precedida por duas gerações com Enurese Nocturna tem um atraso de ano e meio no controlo nocturno da bexiga. Actualmente, foram já descobertos os cromossomas -12q e 13q– que podem predispor geneticamente as crianças a desenvolver a Enurese Nocturna.

Causa fisiológica: insuficiência de vasopressina:
Mas a causa fisiológica mais comum é uma deficiência na produção nocturna de uma hormona antidiurética chamada vasopressina. Esta hormona regula a produção de urina durante as 24 horas do dia, existindo uma maior produção desta hormona durante a noite para, deste modo, reduzir o volume de urina. No caso da maioria das crianças enuréticas, e segundo alguns investigadores dinamarqueses , existe uma deficiência na produção nocturna da vasopressina.



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sábado, 10 de março de 2007





"A escola é um edifício com quatro paredes e o amanhã dentro dele".


George Bernard Shaw

segunda-feira, 5 de março de 2007

Educação infantil: Artes

Pequenos artistas

Chega de casinhas com chaminés. A criatividade aparece quando você investe no trabalho com desenhos na creche e na pré-escola

Tatiana Achcar

Quando eu tinha 15 anos, sabia desenhar como Rafael, mas precisei de uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças." A frase do artista espanhol Pablo Picasso (1881-1973) - referindo-se ao pintor renascentista Rafael Sanzio (1483-1520) - demonstra a importância de valorizar a riqueza artística nata dos pequenos. "É comum a idéia de que o desenho é uma ação espontânea da criança e que, portanto, não precisa ser desenvolvido", afirma a psicóloga Mônica Cintrão, da Universidade Paulista, em São Paulo. Num outro extremo está o uso de figuras infantilizadas produzidas por adultos, como elefantes com lacinhos, reduzindo o aprendizado em Artes a atividades de colorir.

O resultado dessa prática aparece desde o início do Ensino Fundamental. Muitas crianças afirmam que não sabem desenhar. Na hora da atividade, apresentam trabalhos estereotipados, traçando casinhas com chaminé e árvore no jardim, montanha com sol poente, gaivotas e homens-palito. Esses mesmos desenhos vão segui-las pela vida toda.

No livro Arte na Sala de Aula, Rosa Iavelbeg, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, aponta que os desenhistas têm idéias próprias sobre o que fazer e são elas que regem suas ações e interpretações. O desenho não é simplesmente a representação do mundo visível, mas uma linguagem com características próprias, que envolve decisões individuais e de culturas coletivas. "Ao ter isso em mente, o professor evita enquadrar os estudantes em visões parciais e deformadas sobre os atos de desenhar e de ler desenhos."

Quando o desenho é desenvolvido na Educação Infantil (leia o quadro desta página e os das próximas), não ocorre o empobrecimento do grafismo, que, de acordo com alguns autores, se dá a partir dos 9 anos. O "cultivo" envolve informação e intervenção do professor e a interação do aluno com a produção dos colegas, com o meio natural e cultural e com a prática de artistas.

Atividades desse tipo têm lugar no Centro de Educação Infantil Gente Miúda, em Curitiba, e na EMEI Papa João Paulo II e no Instituto de Educação Santiago de Compostela, ambos em São Paulo. A professora Rosângela Barbosa Ferreira de Medeiros, da João Paulo II, planeja seu trabalho de forma que os alunos desconstruam o mito de que não sabem desenhar. "Quero que valorizem suas idéias e que não se submetam ao desenho figurativo só para agradar ao adulto."

De acordo com Rosa Iavelberg, cabe ao professor articular as práticas das crianças ao valor da arte na vida e na sociedade, às técnicas existentes e ao conceito de desenho. Para isso, Mônica Cintrão defende a importância de conhecer as transformações do desenho infantil (leia o quadro As etapas do grafismo na página ao lado). Essas informações ajudam a avaliar e a planejar as intervenções que devem ser feitas durante todo o ano letivo.

Diferentes materiais

Para agir de forma produtiva, o professor precisa ter consciência sobre o que os pequenos devem aprender. Assim, pode se guiar pelas fases dos desenhos e pelas práticas criativas das crianças. Para começar, é importante ampliar o conceito de desenho. "Ele não é uma linha de contorno que representa um objeto. É ação sobre uma superfície que produz algo para ser visto", explica Rosa.

Durante as aulas, é preciso criar constantemente situações em que a criança desenhe sobre o tema que quiser e experimente vários materiais - lápis, tinta, giz de cera, carvão - e diversos suportes - papel, chão, areia, parede...

A avaliação dos trabalhos também vai determinar a evolução das futuras produções artísiticas. Por isso, é necessário valorizar o desenho de todos e dialogar com os alunos sem impor o juízo estético adulto. Perguntar "o que é isso?" aos pequenos ou pedir que eles contem a história do desenho não é recomendável. "Isso induz a criança a tentar interpretar o desenho e a dar nome a traços que não foram feitos com a preocupação de serem nomeados. É preferível pedir que a criança fale do seu trabalho", diz Rosa.

Guarde as produções de cada estudante numa pasta e retome-as depois numa roda de apreciação. "Não importa se faz tempo que o desenho foi produzido. Mostrá-lo cria referência de que ele foi feito por alguém e pertence a um conjunto de obras", explica Rosa. Tudo isso contribui para a turma deslanchar e começar a elaborar traços mais criativos e bem compostos. Para que o trabalho tenha sucesso, é importante envolver os pais. É comum eles quererem ver as tais figuras desenhadas por adultos e coloridas pelos filhos na pasta de atividades no final do bimestre. Por isso, na próxima reunião, explique a importância do desenvolvimento criativo.

Mundo colorido

Marcelo Almeida
Crianças de 4 anos geralmente já têm noção de espaço e desenham dentro do limite da folha, mas ainda não estabelecem uma escala de tamanho nem conhecem bem as cores. Uma árvore inteira pode ser pintada de verde e ser do tamanho de uma flor.

Para que os pequenos ampliem seu universo pictórico e percebam a diversidade de tons, formas e tamanhos, Nilciane Azamor Souza, professora da escola Gente Miúda, os leva para o parque. "Peço que prestem atenção nos detalhes das folhas, das flores, do tronco e da raiz e no tamanho da árvore em relação a outras plantas." Em classe, ela sugere que eles lembrem do que foi visto e pintem com guache e pincel.

Isso estimula a capacidade de reproduzir o que viram e permite perceber que o material e o suporte influenciam o desenho.

O que se vê

Gilvan Barreto
Estimulada pela professora Rosângela, a turma de 5 anos da Escola Papa João Paulo II desenvolve a percepção eo desenho dos detalhes do rosto. Tocando-se, os pequenos vão percebendo a textura dos cílios, o contorno da boca, o traçado das sobrancelhas e as curvas das orelhas. Eles também observam a própria imagem no espelho e capricham nos detalhes ao desenhar cada uma dessas partes do rosto. Na hora de fazer o desenho de observação, um colega vira modelo ao se colocar dentro de uma moldura. Atento à representação que os colegas fazem dele, alerta que está faltando a orelha, que seu nariz não é assim etc. Um intervém no desenho do outro e, nessa troca, todos aprendem.

Garatujas

Reprodução
Reprodução

No início do ano, as turmas da escola Santiago de Compostela que completam 2 anos no período letivo desenham garatujas desordenadas e rabiscos aleatórios que extrapolam o limite do papel. Todos os dias, durante dois meses, a professora Beatriz Massini Tartalho incentiva a prática do desenho com lápis de cor e grafite, giz de cera e caneta hidrocor. Desenhando e observando o trabalho dos colegas, a criança percebe o limite da folha e ordena as garatujas. "Quando o tema é livre, os pequenos fazem movimentos ampols e desordenados, sem pensar na figura. Se o tema é bicho, eles começam a imaginar uma imagem e desenham formas mais definidas", diz Beatriz. Logo, estão dando nome aos desenhos.

Alimento estético

Gilvan Barreto
A professora Rosângela leva para a sala de aula reproduções de arte de qualidade de diversas épocas e lugares. Escolhe bons artistas, valoriza os contemporâneos e dá preferência às cópias com boa definição. O material fica na caixa de imagens, guardada sobre uma bancada, ao alcance de todos e ao lado de lápis, giz, canetas hidrocor e papéis de vários formatos, tudo separado por cores. Toda semana, ela atualiza o cantinho da apreciação, um cartaz com fotos de rostos recortados de revistas e cartões- postais com obras contemporâneas e auto-retratos de artistas como Vincent van Gogh (1853-1890), Pablo Picasso e Joan Miró (1893-1983). É para lá que as crianças vão sempre que têm vontade ou sentem necessidade de buscar uma referência enquanto desenham.

Arte comentada

Gilvan Barreto
Na roda de apreciação, aparecem descobertas individuais e coletivas sobre a arte que todos estão produzindo. Alguns dias após terem feito um desenho, as crianças da turma da professora Rosângela sentam-se em círculo para explicar o que observaram no próprio trabalho, fazer comentários sobre o desenho dos colegas e relacionar as obras com as figuras que viram na caixa de imagens. A professora dá chance a cada um deles de falar sobre sua produção, sem atribuir valor estético. Assim, todos vão construindo um repertório pictórico.

Aprimorar o desenho...

Possibilita a expressão pela linguagem pictórica, além da oral e escrita.
Mostra o valor da arte na vida e na sociedade.
Evita o empobrecimento gráfico e a produção de trabalhos estereotipados.

Teoria

As etapas do grafismo*
As fases a seguir se sucedem, mas a idade em que elas se manifestam varia

De 2 a 4 anos - Garatuja

Desordenada - Movimentos amplos e aleatórios que não respeitam o limite da folha.

Ordenada - Os rabiscos seguem o limite do papel.

Reprodução

Nomeada - Os rabiscos ganham nome: papai, nenê, mamãe.

Reprodução

De 4 a 6 anos - Pré-esquema

Boneco girino - Tem início o desenho da figura humana, com braços e pernas que saem da cabeça. Mais adiante, os membros saem do corpo.

Exagero - Não há proporção nem perspectiva. As figuras são grandes ou pequenas demais.

Omissão - Faltam partes do corpo ou do rosto. Um braço pode ser mais comprido que o outro.

Justaposição - As figuras são misturadas na folha, sem linha de base (chão e céu). Não há organização espacial. O sol pode surgir na parte de baixo.

Reprodução

*de acordo com Viktor Lowenfeld (1947-1977)
Fonte: Avaliação Escolar do Desenho Infantil: Uma Proposta de critérios Para Análise, tese de Mônica Cintrão

Quer saber mais?

Contatos

Centro de Educação Infantil Gente Miúda, R. Julia Wanderlei, 1205, 80710-210, Curitiba, PR, tel. (41) 3335-4425

EMEI Papa João Paulo II, R. Paulo Arentino, 870, 02998-140, São Paulo, SP, tel. (11) 3949-6814

Instituto de Educação Santiago de Compostela, R. Luis Molina, 70, 04116-280, São Paulo SP, tel. (11) 5572-0071

Bibliografia

Arte na Sala de Aula - Cadernos da Escola da Vila 1, Zélia Cavalcanti, 80 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 30 reais

Para Gostar de Aprender Arte - Sala de Aula e Formação de Professores, Rosa Iavelberg, 128 págs., Ed. Artmed, 34 reais



Desejo-vos uma boa semana!

domingo, 25 de fevereiro de 2007



5000 Visitas!!!!!!!!

Obrigado a todos, por tornarem
este jardim cada dia mais florido!

Muitos beijinhos e
xi para todos!

sábado, 24 de fevereiro de 2007



Vai...


Para sonhar o que poucos ousaram sonhar.
Para realizar aquilo que
já te disseram que não podia ser feito.
Para alcançar a estrela inalcançável.

Essa será a tua tarefa: alcançar essa estrela.

Sem quereres saber quão longe ela se encontra;
nem de quanta esperança necessitarás;
nem se poderás ser maior do que o teu medo.

Apenas nisso vale a pena gastares a tua vida.

Para carregar sobre os ombros o peso do mundo.
Para lutar pelo bem sem descanso e sem cansaço.
Para enxugar todas as lágrimas ou para lhes dar um sentido luminoso.

Levarás a tua juventude a lugares onde se pode morrer, porque precisam lá de ti. Pisarás terrenos que muitos valentes não se atreveriam a pisar.

Partirás para longe, talvez sem saíres do mesmo lugar.

Para amar com pureza e castidade.
Para devolver à palavra "amigo" o seu sabor a vento e rocha.
Para ter muitos filhos nascidos também do teu corpo e - ou - muitos mais nascidos apenas do teu coração.


Para dar de novo todo o valor às palavras dos homens.
Para descobrir os caminhos que há no ventre da noite.
Para vencer o medo.
Não medirás as tuas forças.
O anjo do bem te levará consigo, sem permitir que os teus pés se magoem nas pedras.

Ele, que vigia o sono das crianças e coloca nos seus olhos uma luz pura que apetece beijar, é também guerreiro forte.

Verás a tua mão tocar rochedos grandes e fazer brotar deles água verdadeira.

Olharás para tudo com espanto.
Saberás que, sendo tu nada,
és capaz de uma flor no esterco e de um archote no escuro.


Para sofrer aquilo que não sabias ser capaz de sofrer.
Para viver daquilo que mata.
Para saber as cores que existem por dentro do silêncio.

Continuarás quando os teus braços estiverem fatigados.

Olharás para as tuas cicatrizes sem tristeza.
Tu saberás que um homem pode seguir em frente apesar de tudo o que dói, e que só assim é homem.


Para gritar, mesmo calado, os verdadeiros nomes de tudo.
Para tratar como lixo as bugigangas que outros acariciam.
Para mostrar que se pode viver de luar
quando se vai por um caminho
que é principalmente de cor e espuma.


Levantarás do chão cada pedra das ruínas
em que transformaram tudo isto.
Uma força que não é tua nos teus braços.

Beijá-las-ás e voltarás a pô-las nos seus lugares.

Para ir mais além.
Para passar cantando perto daqueles que
viveram poucos anos e já envelheceram.

Para puxar por um braço, com carinho,
esses que passam a tarde sentados em frente de uma cerveja.


Dirás até ao último momento: "ainda não é suficiente".
Disposto a ir às portas do abismo salvar uma flor que resvalava.
Disposto a dar tudo pelo que parece ser nada.
Disposto a ter contigo dores
que são semente de alegrias talvez longe.


Para tocar o intocável.
Para haver em ti um sorriso que a morte não te possa arrancar.
Para encontrar a luz de cuja existência sempre suspeitaste.

Para alcançar a estrela inalcançável.


(Paulo Geraldo)


Jogos

Corrida de Centopeia

Dado o sinal para começar, todas as equipas devem estar formadas, por exemplo em grupos de 5 crianças;

Cada equipa deve formar uma “fila estando cada criança com as mãos na cintura do colega da frente;

Devem ir em direcção à linha de chegada, sem a fila ter sido desfeita;

Caso a corrente se quebre (se uma das crianças soltar o colega da frente), a equipa deve regressar ao lugar de partida e recomeçar o trajecto.

Vencerá a equipa que chegar primeiro à linha de chegada sem sair da fila.

Corrida com Jornais

Cada criança deve estar com duas folhas de jornal nas mãos;

Ao sinal de início, devem colocar no chão, à sua frente, uma das folhas de jornal, e pisá-la;

Depois colocar a outra, dar um passo à frente pisando sobre ela, e apanhar a que ficou atrás, para tornar a colocá-la no chão, à sua frente e pisar sobre ela e apanhar a que ficou atrás;Farão a troca de jornal até atingir à linha de chegada.

Vencerá quem chegar primeiro sem rasgar o jornal.



Era uma vez, um gato Maltês

Com as crianças de pé, numa roda, o educador pede que se ponha a circular a frase:" Era uma vez um gato maltês;tocava piano e falava francês", dizendo cada criança, na sua vez, uma só palavra da frase. Isto é. a primeira criança diz "Era", a segunda "uma", a terceira "vez", e assim sucessivamente, recomeçando a frase tantas vezes quantas necessárias.

VARIANTES

a) Mantendo a estrutura verbal do jogo anterior, cada criança tem agora de pôr-se de cócoras, quando diz a palavra. Quando voltar a jogar, põe-se, de novo, em pé...

b) Quando joga, a criança, em vez de acocorar-se e manter-se nessa posição, desce e sobe num movimento contínuo, único.

c) Tornando o jogo muito mais difícil, desta vez o jogador que se baixa, não é o que fala, mas aquele que o precede na roda, isto é, o que falou anteriormente.


retirado da net


segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007




As coisas mais belas da vida não podem ser vistas ou tocadas. Elas precisam ser sentidas com o coração.

Hellen Keller

sábado, 17 de fevereiro de 2007



Você tem medo do quê?

Medo de fantasmas, de bruxas, do escuro. São esses, entre outros medos e pavores, que surgem na imaginação das crianças e que fazem com que suas noites se tornem um pesadelo. Mas tais medos são normais na fase infantil, pois a criança possui uma imaginação muito forte que faz com que tudo que aprenda ou descubra torne-se real.

Os primeiros sinais de sustos e medos começam por volta dos 7 ou 8 meses, quando os bebês costumam estranhar ambientes e pessoas com as quais não estão acostumados. Já com 2 anos é comum a criança ter medo de ser abandonada pelos pais.

Mas é a partir dos 3 anos de idade, quando sua imaginação está a todo vapor, que aparecem os medos mais intensos e abstratos, como do escuro, de bruxas, fantasmas, monstros e bichos papões. Como resultado do pensamento mágico típico desta idade, todos os tipos de medos tornam-se reais e lógicos na mente da criança.

Freqüentemente os pais ficam confusos e não sabem como lidar com esta situação. Uma boa maneira de auxiliar a criança a vencer seu medo consiste em fazê-la participar da procura de métodos práticos de lidar com a experiência assustadora.

Às vezes, o simples fato de manter acesa uma luz fraca no quarto durante a noite é suficiente para assegurá-la de que não há monstros espreitando no escuro. Outra forma consiste em mostrar o objeto que traz medo à criança numa situação em que ela sinta-se segura. Este tipo de exposição a um modelo, ou seja, a demonstração de que outros não têm medo, pode ser um método efetivo.

A cumplicidade também é um método eficaz: os pais podem ajudar seus filhotes contando que também tinham medos quando eram pequenos. E até mesmo reconhecer que ainda hoje tem alguns medos.

O medo faz parte da vida da criança, embora ela ainda não tenha condições emocionais para enfrentá-lo. Por esta razão, todos os medos de seu filho, alguns absurdos, outros nem tanto, merecem o maior respeito. De nada adianta o adulto fingir que não notou. E nem insistir em dizer que não tem bicho nenhum atrás da cortina ou que fantasmas não existem.

Conversar com a criança sobre o assunto, levá-la a revelar - no meio de uma historinha, por exemplo - o que a deixa assustada, isto sim, pode ajudar bastante. O simples fato de poder compartilhar com alguém querido qualquer experiência vivida traz alívio aos pequeninos. Deixe a criança falar, dividir o peso de suas angústias. Afinal, até os bebês, algumas vezes, se sentem amedrontados, tensos ou angustiados.

Rafaela Rosas

retirado daqui

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007



História de São Valentim

Existem várias teorias relativas à origem de São Valentim e à forma como este mártir romano se tornou o patrono dos apaixonados. Uma das histórias retrata o São Valentim como um simples mártir que, em meados do séc. III d.C., havia recusado abdicar da fé cristã que professava. Outra defende que, na mesma altura, o Imperador Romano Claudius II teria proibido os casamentos, para assim angariar mais soldados para as suas frentes de batalha. Um sacerdote da época, de nome Valentim, teria violado este decreto imperial e realizava casamentos em sigilo absoluto. Este segredo teria sido descoberto e Valentim teria sido preso, torturado e condenado à morte. Ambas as teorias apresentam factores em comum, o que nos leva a acreditar neles: São Valentim fora um sacerdote cristão e um mártir que teria sido morto a 14 de Fevereiro de 269 d.C.

Quanto à data, algumas pessoas acreditam que se comemora neste dia por ter sido a data da morte de São Valentim. No entanto, outros reivindicam que a Igreja Católica pode ter decidido celebrar a ocasião nesta data como uma forma de cristianizar as celebrações pagãs da Lupercalia. Isto porque, na Antiga Roma, Fevereiro era o mês oficial do início da Primavera e era considerado um tempo de purificação. O dia 14 de Fevereiro era o dia dedicado à Deusa Juno que, para além de rainha de todos os Deuses, era também, para os romanos, a Deusa das mulheres e do casamento. No dia seguinte, 15 de Fevereiro, iniciava-se assim a Lupercalia que celebrava o amor e a juventude. No decorrer desta festa, sorteavam-se os nomes dos apaixonados que teriam de ficar juntos enquanto durasse o festival. Muitas vezes, estes casais apaixonavam-se e casavam. No entanto, e como aconteceu com muitas outras festas pagãs, também a Lupercalia foi um 'alvo a abater' pelo cristianismo primitivo. Numa tentativa de fazer uma transição entre paganismo e cristianismo, os primeiros cristãos substituíram os nomes dos enamorados dos jogos da Lupercalia por nomes de santos e mártires. Assim, conciliavam as festividades com a religião que professavam, aumentando a aceitabilidade por parte dos Romanos. São Valentim não foi excepção e, como tinha sido morto a 14 de Fevereiro, nada melhor para fazer uma adaptação da Lupercalia ao cristianismo, tornando-o como o patrono dos enamorados.

Tradições do Dia de São Valentim

Muitas são as tradições associadas ao dia de São Valentim, variando de país para país.

Por exemplo, nas Ilhas Britânicas na altura dos Celtas, as crianças costumavam vestir-se de adultos e cantavam de porta em porta, celebrando o amor; no actual País de Gales, os apaixonados trocavam entre si prendas como colheres de madeira com corações gravados, chaves e fechaduras, o que significava «Só tu tens a chave do meu coração».
Já na Idade Média, em França e na actual Inglaterra, no dia 14 de Fevereiro, os jovens sorteavam os nomes dos seus pares e estes eram cosidos nas mangas durante uma semana. Se alguém trouxesse um coração costurado na camisola, isso significava que essa pessoa estava apaixonada.
Ao longo dos tempos, as tradições de São Valentim foram adquirindo um grau de complexidade cada vez maior. A cada ano que passava, foram-se criando novas tradições, lendas e brincadeiras, como é o caso das mensagens apaixonadas.
A tradicional troca de cartões, cartas e bilhetes apaixonados no dia 14 de Fevereiro teve origem na altura da própria lenda de São Valentim, quando este teria deixado um bilhete à filha do seu carcereiro. No entanto, não há qualquer facto que comprove esta lenda.
Porém, é certo que, no século XV, Charles, o jovem duque de Orleães, terá sido o primeiro a utilizar cartões de São Valentim. Isto porque, enquanto esteve aprisionado na Tower of London, após a batalha de Agincourt em 1945, terá enviado, por altura do São Valentim, vários poemas e bilhetes de amor à sua mulher que se encontrava em França.
Durante o século XVII sabe-se que era costume os enamorados escreverem poemas originais, ou não, em pequenos cartões que enviavam às pessoas por quem estavam apaixonados. Mas, foi a partir de 1840, na Inglaterra vitoriana, que as mensagens de São Valentim passaram a ser uniformizadas. Os cartões passaram a ser enfeitados com fitas de tecido e papel especial e continham escritos que ainda hoje nos são familiares, como é o caso de «would you be my Valentine».

Nos dias de hoje, é entre os mais novos que estas mensagens de São Valentim são mais populares, sendo uma forma de expressarem as suas paixões.



Dia de S.Valentim





Contar Histórias– Uma Linguagem de Afeto

Laerte Vargas


O processo de formação de um leitor começa bem antes dele aprender a decodificar a leitura a partir do texto escrito. O início deste caminho e a sedução para o mesmo se dão ainda no berço, através dos acalantos e parlendas e, claro, da ambiência de afeto que este momento propicia.
A partir das cantigas de ninar, a criança vai criando ferramentas para se tornar leitor e identificar a espinha dorsal de uma narrativa.


No entanto, é errada a idéia que comumente se tem de que contar histórias é privilégio dos pequenos. O ofício de contador tem me mostrado que contar e ouvir histórias é uma arte sem idade, o que confirma a máxima popular que diz que “de uma boa história ninguém escapa”.



As histórias não só ensinam como também nos convidam a olhar para dentro, pois apresentam os percalços e deleites que a vida nos reserva. Algumas linhas de psicologia, inclusive, defendem a idéia de que crianças que ouvem histórias na infância se tornam adultos mais seguros e profissionais bem sucedidos. Isso porque o texto ouvido na infância fica ecoando em nossa memória afetiva e serve de alicerce para o processo de individuação; internalizamos a idéia de que a vida não é exclusivamente um mar de rosas e que temos muitos dragões e bruxas a vencer nesta trajetória de crescimento.



Mas, afinal, o que conta o conto?


As histórias populares mostram sempre, num primeiro plano, um personagem sendo compelido a um processo de transformação: ele é expulso de casa ou tem que fugir; enfim, sair do âmbito familiar para cumprir uma tarefa essencial para sua sobrevivência ou de um ente querido. Muitos contos iniciam mostrando a morte da mãe “perfeita demais” para que possa dar lugar a um indivíduo único e inimitável. A partir disso, ele se confrontará com impasses morais, terá que discernir o bem do mal, atravessar florestas escuras ( seus medos ) para fazer jus ao “ser feliz”.

Na verdade, são questões que não fazem parte unicamente do repertório infantil e, sim, norteadores para uma vida com mais qualidade e expressão.



As histórias nos acordam dos nossos encantamentos, abrem espaço para outros e se tornam fiéis parceiras em nossos processos de transformação.

“Mas, já temos tudo pronto... A televisão não é o mais prático contador de histórias?”, perguntarão alguns. Sem dúvida, a televisão hoje em dia é uma janela para o mundo. Mas, quanta poluição entra quando resolvemos abrir a janela de nossa casa?

Simplesmente apertamos um botão, selecionamos um canal e não nos preocupamos (e nem temos tempo) para filtrar o que é servido às nossas crianças... E quanto da capacidade imaginativa cerceamos quando damos as imagens já prontas e num ritmo industrial que nunca conseguirá suprir a afetividade que o contar histórias proporciona! Cada ouvinte imaginará a história do seu jeito, ele mesmo será o pintor desta tela e elegerá as cores que usará.



E, o melhor de tudo, terá os olhos do contador como porto seguro para sua viagem.

Tudo isso faz do contar histórias uma linguagem única e que pode ser desenvolvida por qualquer um que tenha no coração um ninho aconchegante para recebê-las e compartilhá-las.



Laerte Vargas é contador de histórias, pesquisador, fundador do Confabulando - Contadores de Histórias, Dinamizador de Oficinas de contadores de histórias



Site:
http://www.contadoresdehistorias.pro.br/
Email: spaco@easynet.com.br