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quarta-feira, 21 de março de 2007
terça-feira, 20 de março de 2007
domingo, 18 de março de 2007
O Dia do Pai
É pois um dia que nos convida a homenagear o nosso pai (onde quer que esteja) ou qualquer outra pessoa que tenha sido um pai para nós, mesmo sem o ser na verdade. Por todo lado, os professores e educadores ajudam as crianças a preparar uma lembrança, um gesto, um símbolo do seu Amor. Aqui ficam também algumas sugestões que mais não são do que simples formas de agradecer e felicitar o nosso pai.
Oferecer flores, fazer um postal, à mão ou no computador, fazer o pequeno-almoço, ou preparar um bom jantar (para os filhos mais velhinhos), escrever um poema, desenhar e pintar uma t-shirt, criar uma apresentação com uma colecção de fotografias do pai, preparar uma peça de teatro, fazer uma moldura e colocar a sua melhor fotografia.
Feitos com o Já Está
Ficam ainda algumas palavras de um poema... "Um pai como tu"
Só queria que soubesses
Que és o Mundo para mim,
E só um coração querido como o teu
Podia dar-me tanto desinteressadamente.
As muitas coisas que fizeste,
Todas as vezes em que estiveste lá para mim,
Ajudam-me a saber no fundo do coração
O quanto realmente me queres bem.
Embora eu nem sempre o diga,
Admiro muito tudo o que fazes,
Sentimo-nos muito abençoados
Por ter um pai assim como tu.
sexta-feira, 16 de março de 2007
Pois é...nem sei quantos meninos ao certo terei na 2ªFeira...esta semana tem sido...Bom, cada dia um menino a ir para casa com sinais de varicela...e hoje foram logo 4!
Como existem muitos mitos relacionados com esta doença...aqui fica alguma informação relevante...Espero que vos seja útil!

O que devo fazer se penso que o meu filho tem varicela?
Se pensa que o seu filho foi infectado, consulte de imediato o seu médico. O diagnóstico desta doença é normalmente simples, e quanto mais cedo a varicela for identificada, mais cedo um tratamento poderá ser considerado. Tratar precocemente a doença é importante, para reduzir os sintomas da criança. A maioria das crianças com varicela não tratada desenvolve uma média de 200 a 300 vesículas durante o curso da doença.
O que é a varicela?
A varicela é uma doença de infância muito vulgar, todos os anos afecta dezenas de milhar de crianças em Portugal, especialmente durante o Inverno e Primavera. É causado pelo vírus varicela-zoster, um membro da família do vírus herpes, o mesmo que causa herpes zoster (zona).
Uma vez debelada, a varicela normalmente não reaparece, no entanto, o vírus permanece alojado no tecido nervoso como que adormecido (não activo), podendo reactivar-se mais tarde, causando zona.
A varicela é perigosa?
Quando se detectam os primeiros sintomas�É difícil prever até que ponto a varicela do seu filho poderá ser grave.
Apesar da doença não ser normalmente perigosa em crianças saudáveis, causa mal-estar e pode levar ao absentismo das crianças à escola e dos pais ao emprego.
Em crianças mais velhas e em especial nos adultos, os sintomas são geralmente mais graves e podem originar outros problemas.
Existem complicações associadas à varicela?
Apesar de raras, podem ocorrer infecções bacterianas, encefalite e pneumonia.
Quais são os sintomas da varicela?
O primeiro sintoma é a febre ligeira. Um ou dois dias mais tarde aparecem manchas vermelhas normalmente primeiro no couro cabeludo e espalhando-se mais tarde pela cara, tronco, axilas, braços, pernas, boca e por vezes na traqueia e brônquios.
A criança pode também queixar-se de dores de cabeça, dores de garganta, dores de estômago, cansaço e perda de apetite.
Qual o aspecto das borbulhas?
São pequenas e vermelhas, provocam comichão e transformam-se em bolhas num curto espaço de tempo (poucas horas). Estas bolhas cheias de líquido (vesículas) secam e formam crostas em alguns dias.
Quanto tempo duram as borbulhas?
Normalmente ao fim de 5 dias deixam de aparecer novas borbulhas. A maioria forma crosta em 6 a 7 dias.
As borbulhas deixam cicatrizes?
Por vezes. É mais provável a formação de cicatrizes se as borbulhas infectarem.
É importante evitar, dentro do possível, que a criança se coce para prevenir a infecção das borbulhas e o aparecimento de cicatrizes.
Como posso impedir que o meu filho coce as borbulhas?
Mantenha as borbulhas limpas e secas, use loções calmantes e dê banhos de água morna de 4 em 4 horas nos primeiros dias. Limpe a criança aconchegando a pele, evitando esfregar. Deve manter as unhas da criança curtas para prevenir eventuais infecções e cicatrizes.
E os meus outros filhos? Devo mantê-los afastados do que tem varicela?
Se os seus outros filhos ainda n�o tiveram varicela, existe uma elevada probabilidade (80 a 90%) de contágio pelo irmão.
Se forem saudáveis, é geralmente melhor que tenham a doença já. Assim estarão protegidos de contrair varicela mais tarde, podendo a doença ser então mais grave.
Se o seu filho tem problemas de saúde e foi exposto à varicela, consulte o seu médico imediatamente.
Posso contrair varicela a partir do meu filho?
Sim, se nunca teve a doença antes. No entanto, a maioria das pessoas teve varicela antes dos 10 anos.
Se nunca teve varicela, ou não tem a certeza, deve sempre que possível, evitar o contacto com a criança infectada.
Contacte o seu médico assim que possível se acha que foi exposto ao vírus.
Existem outras situações em que a varicela pode ser perigosa?
A varicela é uma doença grave nos adultos. Uma mulher grávida pode estar sujeita a um risco ainda mais elevado no que respeita ao aparecimento de complicações, devendo evitar a exposição à doença, devido ao risco que isso constitui para o feto.
A varicela é também grave para aqueles com um sistema imunitário enfraquecido.
Devo manter o meu filho afastado e um adulto infectado com varicela?
Pelas razões expostas anteriormente, se o seu filho for saudável, provavelmente será melhor permitir a sua exposição ao vírus da varicela, através do contacto com a pessoa infectada.
O vírus que infecta a criança é o mesmo que infecta o adulto.
Como ocorre a transmissão da varicela de uma pessoa para outra?
O vírus é transmitido pelo ar, quando a pessoa infectada tosse, espirra, ou fala, ou pelo contacto com as lesões do doente.
Qual o período de incubação?
Cerca de 14 a 15 dias contados a partir do contacto com a pessoa infectada.
Durante quanto tempo a varicela pode ser transmitida a outra pessoa?
A varicela é contagiosa, desde aproximadamente 10 dias após a criança ter sido contagiada, até todas as bolhas se transformarem em crostas.
Qual é o tratamento para a varicela?
Existe um medicamento específico para a varicela, que ajuda de forma substancial a redução da duração da doença, permitindo que a criança se sinta melhor num espaço de tempo mais curto.
Lembre-se que apenas o médico pode determinar se este medicamento é ou não o mais indicado para o seu filho.
Tenha também em atenção que o tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível.
Alguns medicamentos podem ser utilizados para combater os sintomas da doença, no entanto não diminuem a sua duração.
O ácido acetilsalicílico não deve ser usado no tratamento da febre e dores durante a varicela, em crianças.
Outros cuidados
Se a criança apresentar lesões na boca, pode ter dificuldade em se alimentar.
Nesta situação deve dar-lhe bebidas frias e alimentos moles e fáceis de engolir.
Evite tudo o que seja ácido, como sumo de laranja, ou salgados.
As lesões na área genital podem ser dolorosas. Cremes anestésicos podem ser indicados nestas situações. Aconselhe-se junto do seu médico.
Outras questões?
Se tiver alguma dúvida que esta informação aqui apresentada não esclareça, coloque-a ao seu pediatra.
Adaptado de folheto informativo da Sociedade Portuguesa de Pediatria e Centro de Documentação e Informação de Medicamentos - Associação Nacional das Farmácias - Setembro 2000
segunda-feira, 12 de março de 2007
O pré-escolar pode fazer diferença na vida dos mais novos, ensinando-os a crescer, mais do que a aprender as primeiras letras ou números. Aos pais ansiosos, a investigadora norte-americana lembra que nem todos os meninos serão felizes a pilotar um foguetão.
Durante 36 anos, foi professora na Universidade de Illinois. Esteve à frente de um centro de informação nacional sobre ensino pré-escolar para educadores e pais, durante 33 anos. É conhecida no mundo do pré-escolar pelas centenas de artigos e livros sobre a matéria. Este mês, fez uma paragem em Portugal para dar a lição inaugural do mestrado em Educação de Infância e Desenvolvimento, na Escola Superior de Educação de Lisboa.
PÚBLICO - Esteve em Portugal há 11 anos. Que diferenças nota no ensino pré-escolar?
Lilian Katz - Já dei conferências em 56 países e esta é a quarta vez que venho a Portugal. Tenho a impressão que houve um aumento e melhoria das condições do pré-escolar. Há mais escolas, mais crianças a frequentá-las.
P - Quais são as condições ideais para que as crianças tenham um bom pré-escolar?
R - Em primeiro lugar, é preciso ter pessoal de qualidade, professores e vigilantes que não pensem que a sua função é tomar conta das crianças, dar-lhes de comer, limpá-las, porque a educação pré-escolar é mais do que isso. É preciso ter conhecimentos, competências, treino e uma formação ao nível do ensino superior. Em Portugal, essa formação existe.
P - É essa formação que faz diferença no pré-escolar?
R - Sim. A pesquisa feita nos últimos 30 ou 40 anos diz-nos que se o ensino pré-escolar não for de qualidade é uma oportunidade perdida. Por isso, faz toda a diferença fazer bem, nos primeiros cinco ou seis anos da criança. Claro que Portugal é um país desenvolvido, mas tem tido uma história de algum desinvestimento na área da educação. Por exemplo, faz-me alguma confusão o número de crianças por sala...
P - Qual seria o rácio mais indicado?
R - Um adulto para 12 crianças. Já vi classes com 25 a 30, que deveriam ser acompanhados por duas profissionais qualificadas. O que duplicaria o preço do pré-escolar e isso é um problema... Quando se fala de qualidade para crianças pequenas, falamos de um rácio menor. Em muitos países, o que se paga às educadoras é pouco e as profissionais vão e vêm.
P - Não criando um clima de estabilidade...
R - A estabilidade do pessoal é outro grande problema: as educadoras devem ser as mesmas, nos primeiros anos. Há casos de meninos com três e quatro anos em que, se soubermos o que fazer, a nossa acção pode fazer uma enorme diferença. Se não o fizermos, os seus problemas vão aumentar em espiral.
P- Por exemplo?
R - Conheci um menino de quatro anos que, quando falava, não se percebia o que dizia, por isso os outros não queriam brincar com ele. Como tinha pouco contacto com os colegas, também não tinha oportunidade de melhorar o modo como falava e o problema tornou-se uma "pescadinha de rabo na boca". Cabe ao adulto quebrar este ciclo. Nestas idades, as crianças são muito dependentes dos adultos, por isso temos de actuar quando elas são pequenas. Com quatro ou cinco anos, os miúdos já ganharam uma reputação, ou seja, os outros sabem dizer o que pensam dele e descrevem-no todos da mesma maneira. E se essa reputação for má, a criança tem de mudar de escola, começar tudo de novo até ganhar uma nova reputação.
P - Os materiais também podem fazer diferença na educação das crianças?
R - É bom ter os materiais adequados, mas não é tudo. O principal papel cabe ao educador, que deve envolver as crianças em investigações.
P - Como define "investigação" para crianças entre os três e os seis anos?
R - Uma vez, nos EUA, estive num centro, muito pobre, em Chicago, onde os meninos de cinco anos fizeram investigação sobre a quantidade de água que gastavam em casa. Fizeram quadros e matrizes. Nestas idades, as crianças adoram recolher dados, fazer sondagens, fazer perguntas... Às vezes as educadoras fazem uns projectos tontos e estes têm de fazer sentido para a vida dos mais novos, para que se interessem em desenvolvê-los.
P - E a partir da investigação, desperta-se o interesse para a aprendizagem das letras e dos números?
R - Sim, porque se os miúdos estão interessados e pedem à educadora: "Mostra-me como se escreve." Se querem contabilizar os litros de água, têm de saber os números. Há muitas profissionais a trabalhar desta maneira, mas isso exige muito delas. Encorajo pais e professores a distinguir o ensino académico - preparar-se para a escola e saber escrever as letras maiúsculas e já fazer umas frases - do desenvolvimento intelectual, através do qual ensinamos as crianças a ter o hábito de pensar. Nos projectos de investigação, as crianças conseguem usar competências académicas, noções precoces de matemática e de escrita, para servir os seus intuitos, para representar o que querem. E assim estão mais motivadas para aprender. Não têm de gostar, mas tem de fazer sentido para elas.
P - Se não gostarem, não poderão ficar desmotivadas?
R - Os meninos nem sempre conseguem gostar de tudo o que fazem. Nem sempre se consegue manter todas as crianças motivadas e interessadas. Não é possível, nem desejável. As crianças têm de aprender a fazer coisas de que não gostam. Não é bom para o seu crescimento que tenham tudo, nem que estejam sempre divertidas. Por vezes, os adultos subestimam a satisfação que as crianças têm, depois de fazer um trabalho mais difícil. Elas ficam felizes depois de resolver um problema. Faz parte do seu crescimento.
P - Os professores queixam-se de que os alunos chegam mal preparados. Que culpas podem ser atribuídas ao pré-escolar?
R - Há uma paranóia pedagógica! Os meninos têm de ser muito bem preparados no pré-escolar para ir para o 1º ciclo, para que os professores não se queixem... Não gosto de palavras como "standarts", "performance", porque não estamos numa fábrica a fazer sapatos. O modelo industrial não faz sentido aplicado à educação.
P - Como assim?
R - Há meninos que aos quatro anos já saberiam ler, mas que têm de esperar até aos seis. Até aos oito anos, as crianças deveriam estar em classes com várias idades. É assim na Suécia, um dos países mais desenvolvidos, e resulta. Se os alunos estiverem misturados, entreajudam-se e incentivam-se uns aos outros. "Redefinir Os Objectivos da Educação"
É natural que os pais queiram o melhor para os filhos, mas o excesso de competição é preocupante. Lilian Katz gostaria de ver redefinidos os objectivos da educação e diz que a arte é uma boa maneira de melhorar a qualidade de vida. De caminho, questiona a utilidade dos "rankings"
.
P - Muitos pais vivem obcecados com o sucesso escolar dos filhos. Uma preocupação que se reflecte logo nos primeiros anos de escola.
R - Com as crianças sobrecarregadas com actividades extra-curriculares e os pais a levarem tudo demasiado a sério. Eu sei...
P - Que espécie de geração estão esses pais a criar?
R - Há muita competição e é preocupante. Há um princípio que diz que só devemos ser competitivos sobre algo realmente importante e que não é suficiente para todos. É um problema enorme quando pressionamos todas as crianças para que sejam astronautas, conduzam foguetões, e eles não podem todos fazer isso. Para mim, é urgente redefinir os objectivos da educação, para saber como ajudar todas as crianças a desenvolver as suas capacidades, o mais possível, de maneira a aprenderem a viver plenamente.
P - Qual é o segredo para ter uma vida de qualidade?
R - A arte. Não se pode viver uma vida plena sem arte, ela dá-nos textura e forma e ninguém pensa nisso. Nos EUA, muitas escolas estão a deixar de ter música e expressão plástica e isso é um erro. A arte melhora a nossa qualidade de vida. As escolas podem fazer muito para introduzir a arte na vida das crianças, de forma natural, sem falar directamente de autores ou correntes.
P - Mas alguns pais têm medo que os filhos, em vez de serem os tais astronautas, queiram ser artistas...
R - O que pode fazer um pai se não encorajar e motivar o filho na direcção em que acredita que ele vai conseguir assegurar o seu futuro? Se não o fizer é irresponsável. Mas deve encorajá-lo a fazer o melhor, sabendo que nem todos serão astronautas.
P - Em Portugal, desde 2001 que se publicam "rankings" com base nos resultados dos exames do secundário. Os pais dos mais pequenos começam a preocupar-se com estes resultados; os que podem, querem matricular os filhos nas escolas bem posicionadas...
R - Mas quem é que os "rankings" ajudam? Não ajudam os que mais precisam. Pelo contrário: deve ser uma depressão para as escolas que ficam nos últimos lugares. Em 1830, no Reino Unido, os professores eram pagos consoante os resultados dos alunos, por isso pediam aos piores para ficarem em casa no dia da avaliação.
P - Qual é a solução?
R - Numa sociedade moderna temos de pensar quais são os principais objectivos para a educação, para que todas as crianças sejam contempladas. A educação pré-escolar pode fazer a diferença, mas pais e professores não devem esquecer que muitos meninos serão felizes se forem agricultores, em vez de astronautas
Público (02-11-04)
domingo, 11 de março de 2007
| A Enurese Nocturna Primária | |
| Saber o que é, quais são os sintomas e as causas da enurese nocturna primária é uma necessidade com que cada vez mais pais se deparam. A informação é a via mais rápida e a forma mais fácil de resolver este problema e ajudar o seu filho. | |
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| Os sintomas de alerta | |
| O facto da criança entrar para a escola e continuar a fazer chichi na cama, com intervalos inferiores a seis meses, deve ser encarado como um sintoma de alerta. Mas, em geral, as crianças enuréticas molham a cama mais do que uma vez por noite. | |
| As causas da Enurese Nocturna Primária | |
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segunda-feira, 5 de março de 2007
Educação infantil: Artes
Pequenos artistas
Chega de casinhas com chaminés. A criatividade aparece quando você investe no trabalho com desenhos na creche e na pré-escola
Tatiana Achcar
Quando eu tinha 15 anos, sabia desenhar como Rafael, mas precisei de uma vida inteira para aprender a desenhar como as crianças." A frase do artista espanhol Pablo Picasso (1881-1973) - referindo-se ao pintor renascentista Rafael Sanzio (1483-1520) - demonstra a importância de valorizar a riqueza artística nata dos pequenos. "É comum a idéia de que o desenho é uma ação espontânea da criança e que, portanto, não precisa ser desenvolvido", afirma a psicóloga Mônica Cintrão, da Universidade Paulista, em São Paulo. Num outro extremo está o uso de figuras infantilizadas produzidas por adultos, como elefantes com lacinhos, reduzindo o aprendizado em Artes a atividades de colorir.
O resultado dessa prática aparece desde o início do Ensino Fundamental. Muitas crianças afirmam que não sabem desenhar. Na hora da atividade, apresentam trabalhos estereotipados, traçando casinhas com chaminé e árvore no jardim, montanha com sol poente, gaivotas e homens-palito. Esses mesmos desenhos vão segui-las pela vida toda.
No livro Arte na Sala de Aula, Rosa Iavelbeg, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, aponta que os desenhistas têm idéias próprias sobre o que fazer e são elas que regem suas ações e interpretações. O desenho não é simplesmente a representação do mundo visível, mas uma linguagem com características próprias, que envolve decisões individuais e de culturas coletivas. "Ao ter isso em mente, o professor evita enquadrar os estudantes em visões parciais e deformadas sobre os atos de desenhar e de ler desenhos."
Quando o desenho é desenvolvido na Educação Infantil (leia o quadro desta página e os das próximas), não ocorre o empobrecimento do grafismo, que, de acordo com alguns autores, se dá a partir dos 9 anos. O "cultivo" envolve informação e intervenção do professor e a interação do aluno com a produção dos colegas, com o meio natural e cultural e com a prática de artistas.
Atividades desse tipo têm lugar no Centro de Educação Infantil Gente Miúda, em Curitiba, e na EMEI Papa João Paulo II e no Instituto de Educação Santiago de Compostela, ambos em São Paulo. A professora Rosângela Barbosa Ferreira de Medeiros, da João Paulo II, planeja seu trabalho de forma que os alunos desconstruam o mito de que não sabem desenhar. "Quero que valorizem suas idéias e que não se submetam ao desenho figurativo só para agradar ao adulto."
De acordo com Rosa Iavelberg, cabe ao professor articular as práticas das crianças ao valor da arte na vida e na sociedade, às técnicas existentes e ao conceito de desenho. Para isso, Mônica Cintrão defende a importância de conhecer as transformações do desenho infantil (leia o quadro As etapas do grafismo na página ao lado). Essas informações ajudam a avaliar e a planejar as intervenções que devem ser feitas durante todo o ano letivo.
Diferentes materiais
Para agir de forma produtiva, o professor precisa ter consciência sobre o que os pequenos devem aprender. Assim, pode se guiar pelas fases dos desenhos e pelas práticas criativas das crianças. Para começar, é importante ampliar o conceito de desenho. "Ele não é uma linha de contorno que representa um objeto. É ação sobre uma superfície que produz algo para ser visto", explica Rosa.
Durante as aulas, é preciso criar constantemente situações em que a criança desenhe sobre o tema que quiser e experimente vários materiais - lápis, tinta, giz de cera, carvão - e diversos suportes - papel, chão, areia, parede...
A avaliação dos trabalhos também vai determinar a evolução das futuras produções artísiticas. Por isso, é necessário valorizar o desenho de todos e dialogar com os alunos sem impor o juízo estético adulto. Perguntar "o que é isso?" aos pequenos ou pedir que eles contem a história do desenho não é recomendável. "Isso induz a criança a tentar interpretar o desenho e a dar nome a traços que não foram feitos com a preocupação de serem nomeados. É preferível pedir que a criança fale do seu trabalho", diz Rosa.
Guarde as produções de cada estudante numa pasta e retome-as depois numa roda de apreciação. "Não importa se faz tempo que o desenho foi produzido. Mostrá-lo cria referência de que ele foi feito por alguém e pertence a um conjunto de obras", explica Rosa. Tudo isso contribui para a turma deslanchar e começar a elaborar traços mais criativos e bem compostos. Para que o trabalho tenha sucesso, é importante envolver os pais. É comum eles quererem ver as tais figuras desenhadas por adultos e coloridas pelos filhos na pasta de atividades no final do bimestre. Por isso, na próxima reunião, explique a importância do desenvolvimento criativo.
Mundo colorido

Para que os pequenos ampliem seu universo pictórico e percebam a diversidade de tons, formas e tamanhos, Nilciane Azamor Souza, professora da escola Gente Miúda, os leva para o parque. "Peço que prestem atenção nos detalhes das folhas, das flores, do tronco e da raiz e no tamanho da árvore em relação a outras plantas." Em classe, ela sugere que eles lembrem do que foi visto e pintem com guache e pincel.
Isso estimula a capacidade de reproduzir o que viram e permite perceber que o material e o suporte influenciam o desenho.
O que se vê

Garatujas
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No início do ano, as turmas da escola Santiago de Compostela que completam 2 anos no período letivo desenham garatujas desordenadas e rabiscos aleatórios que extrapolam o limite do papel. Todos os dias, durante dois meses, a professora Beatriz Massini Tartalho incentiva a prática do desenho com lápis de cor e grafite, giz de cera e caneta hidrocor. Desenhando e observando o trabalho dos colegas, a criança percebe o limite da folha e ordena as garatujas. "Quando o tema é livre, os pequenos fazem movimentos ampols e desordenados, sem pensar na figura. Se o tema é bicho, eles começam a imaginar uma imagem e desenham formas mais definidas", diz Beatriz. Logo, estão dando nome aos desenhos.
Alimento estético

Arte comentada

Aprimorar o desenho...
Possibilita a expressão pela linguagem pictórica, além da oral e escrita.Mostra o valor da arte na vida e na sociedade.
Evita o empobrecimento gráfico e a produção de trabalhos estereotipados.
Teoria
As etapas do grafismo*
As fases a seguir se sucedem, mas a idade em que elas se manifestam varia
De 2 a 4 anos - Garatuja
Desordenada - Movimentos amplos e aleatórios que não respeitam o limite da folha.
Ordenada - Os rabiscos seguem o limite do papel.

Nomeada - Os rabiscos ganham nome: papai, nenê, mamãe.

De 4 a 6 anos - Pré-esquema
Boneco girino - Tem início o desenho da figura humana, com braços e pernas que saem da cabeça. Mais adiante, os membros saem do corpo.
Exagero - Não há proporção nem perspectiva. As figuras são grandes ou pequenas demais.
Omissão - Faltam partes do corpo ou do rosto. Um braço pode ser mais comprido que o outro.
Justaposição - As figuras são misturadas na folha, sem linha de base (chão e céu). Não há organização espacial. O sol pode surgir na parte de baixo.

*de acordo com Viktor Lowenfeld (1947-1977)
Fonte: Avaliação Escolar do Desenho Infantil: Uma Proposta de critérios Para Análise, tese de Mônica Cintrão
Quer saber mais?
Contatos
Centro de Educação Infantil Gente Miúda, R. Julia Wanderlei, 1205, 80710-210, Curitiba, PR, tel. (41) 3335-4425
EMEI Papa João Paulo II, R. Paulo Arentino, 870, 02998-140, São Paulo, SP, tel. (11) 3949-6814
Instituto de Educação Santiago de Compostela, R. Luis Molina, 70, 04116-280, São Paulo SP, tel. (11) 5572-0071
Bibliografia
Arte na Sala de Aula - Cadernos da Escola da Vila 1, Zélia Cavalcanti, 80 págs., Ed. Artmed, tel. 0800-703-3444, 30 reais
Para Gostar de Aprender Arte - Sala de Aula e Formação de Professores, Rosa Iavelberg, 128 págs., Ed. Artmed, 34 reais











