sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Bom Fim-de-semana para todos!!!

As Depressões nas Crianças

Confusa, triste e um pouco medrosa, a criança não consegue demonstrar por via das palavras o que a aflige ou que lhe provoca tamanha desilusão. Muito dificilmente conseguirá obter do seu filho uma palavra de mágoa ou de solidão, pois normalmente essa angústia expressa-se através de comportamentos estranhos e duvidosos em casa ou na escola. Gritos ou berrarias incompreensíveis, podem ser um grave indício que algo não está a correr bem no universo infantil do seu filho.

As pessoas nem sempre o conseguem compreender e julgam tratar-se de mais uma birra, do que algum sintoma de perturbação psicológica ou de incómodo relativamente a algo. Enquanto as crianças demonstrarem pequenos sinais, não estamos muito mal. O pior é quando a criança se fecha no seu mundo e guarda tudo para si, sem exprimir o mínimo sintoma que seja. Os pais julgam tratar-se apenas de timidez, quando às vezes este confuso silêncio significa muito mais do que isso.

Os pais ou professores não fazem ideia do que se passa com a criança e, mais tarde quando atingirem a idade adulta, esses momentos de solidão, angústia ou medo terão a sua aparição de uma forma bem mais complexa e prejudicial. Quando se fala de depressão infantil, esta pode ser motivada por um conjunto de situações ligadas ao mundo da criança ou mesmo acontecimentos exteriores que a marquem profundamente. A relação dos pais complicada e o ambiente familiar tem graves influências no estado psicológico da criança, que no futuro podem determinar o seu comportamento social e afectivo.

A depressão infantil pode exprimir-se através de um comportamento exageradamente agressivo, ou pela via do silêncio, choro, expressão no rosto demasiadamente entristecido ou um comportamento apático e inexplicavelmente calmo. Porém, deve ter em conta que nem todos os choros são de tristeza e, há que saber fazer a devida distinção. O facto de ter mudado de ambiente escolar ou mesmo da zona de residência, pode dar origem a uma depressão. Se não demonstrar e transmitir carinho ao seu filho, o mais certo é isso motivar uma apatia e tristeza da parte dele, já que se sente isolado e abandonado. As excessivas exigências que os pais fazem para com os filhos, podem originar uma pressão tão forte nas crianças que as mesmas não aguentam e acabam por se entregar ao estado depressivo.

O aparecimento de doenças, como é o caso do sarampo, deixam à sua passagem algumas reacções nas crianças menos saudáveis e depressivas. A perda de energia ligada ao desaparecimento da doença, não se sabe muito bem se provém de características físicas ou ao nível do ambiente, mas a certeza é que elas acontecem por diversas ocasiões.

Em fases de depressão ou de suspeita, o ideal é consultar de imediato o pediatra da criança para que esta seja encaminhada para um psiquiatra infantil. Até se atingir o êxito da doença pode levar alguns anos, mas o fundamental é que a recuperação seja total e até à data, esse êxito tem-se vindo a verificar anos mais tarde. É um trabalho lento mas que favorece em muito a personalidade da criança, ainda que seja necessário um apoio e uma boa dose de comunicação por parte da família.


Psst, Psst...




Amigos, eis mais um site com fotos lindíssimas que descobri...

http://www.olhares.com/

Visitem que vale a pena!!!!Depois quero que me contem as vossas impressões!
E para abrir o apetite...



Sobre a Aprendizagem





Aprender é descobrir
o que já se sabe.
Praticar é demonstrar o que se sabe.
Ensinar é lembrar aos outros
que eles sabem tanto quanto você.
Todos são alunos, praticantes, professores...

Richard Bach

terça-feira, 24 de outubro de 2006

E esta hein???


Palavras de alguém que para mim é "Unforgettable" (inesquecível):



Espalhe o amor por onde passar antes de mais nada na sua própria casa. Dê amor aos seus filhos, à sua esposa, ao seu marido, a um vizinho mais próximo...
Não permita, jamais, que alguém se aproxime de si sem o deixar melhor e mais feliz.
Seja a expressão viva da bondade de Deus; bondade no seu rosto,
bondade nos seus olhos, bondade no seu sorriso,
bondade na sua terna saudação.


MADRE TERESA


sábado, 21 de outubro de 2006

Nothing?














Nothing
When children come home at the end of the day,
The question they're asked as they scurry to play is,
"What did you do at school today ?"
And the answer they give makes you sigh with dismay.
"Nothing, I did nothing today!"
Perhaps nothing means that I played with blocks,
Or counted to ten, or sorted some rocks.
Maybe I painted a picture of red and blue.
Or heard a story of a mouse that flew.
Maybe I watched the fish eat today,
Or went outside on the swings to play.
Maybe today was the first time
That my scissors followed a very straight line.
Maybe I sang a song from beginning to end,
Or played with a special, brand new friend.
When you're in Kindergarten
and your heart has wings,
"Nothing" can mean so many, many things.

O que eu penso

Achei este texto muito peculiar, pois ele exemplifica aquilo que realmente acontece. Perguntamos a uma criança o que ela fez no Jardim de Infância e ela responde “nada”. Mas, se continuarmos a dialogar com ela, damos por nós a ouvi-la cantar uma música que lá aprendeu, ou a referir o nome de algumas personagens de uma história lá contada

Este “nada” representa tantorepresenta momentos de desenvolvimento, de experimentação, de evoluçãoPara a criança tudo é simples, instantâneo, tudo acontece de forma natural. Mas cada dia que passa, é um degrau que ela sobe na escada do seu crescimento /desenvolvimento. É o sentir que já é capaz, é o saber fazer melhor, o conseguir sem ajuda.

O Educador orienta, conduz, apoia. E nessa tarefa tão fundamental, exigente, e séria, o educador surge, infelizmente, aos olhos da sociedade, como um “nada”. Esquecem-se que há pequenos nada que são tudo

E vocês o que pensam sobre isto?

quarta-feira, 18 de outubro de 2006


Amigos, apanhei estas flores no "Nosso" Jardim da Alegria! São para todos os visitantes!!! Muitos beijinhos e bem hajam!


Todo o homem recebe duas espécies de educação: a que lhe é dada pelos outros, e, muito mais importante, a que ele dá a si mesmo.
Autor:
Gibbon , Edward


segunda-feira, 16 de outubro de 2006



Estou Triste!!!!!!!!!!!!!! Tantos visitantes e tão poucos comentários :(
Vá lá!!!!!!!!!!!!!!!!!!Digam qualquer coisita!!!!!!!!!!!!
Fico à espera....snif...snif...snif

Beijokitas e obrigada aos poucos (MAS BONS!) que comentaram!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 15 de outubro de 2006



BOA SOPA
(Música do "Todos me querem...
"; "Já passei a roupa a ferro...")


Vamos fazer uma sopa
Uma sopa saborosa
Com legumes e verduras
Vai ficar deliciosa.

Refrão:
Vamos provar
Vamos fazer
A boa sopa
Que faz crescer

São cenouras e cebolas
As nabiças bem verdinhas
Com batatas e agriões
Hortaliças bem fresquinhas.




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16 de Outubro - DIA DA ALIMENTAÇÃO


DIFICULDADES ALIMENTARES

O relacionamento alimentar está intimamente ligado ao relacionamento com a mãe, desde o nascimento. Não existe maneira mais eficaz de demonstrar raiva ou ressentimento para com a mãe do que recusar sua comida. Em situações emocionalmente desgastantes para a criança ela provavelmente rejeitará ou se tornará exigente com o alimento.
Um dos problemas mais difíceis e mais comuns, é a recusa súbita e persistente do alimento, particularmente de alimentos sólidos. Para a mãe, é difícil suportar a rejeição constante do alimento cuidadosamente preparado e isso pode provocar fortes sentimentos de desamparo, ressentimento e raiva em relação ao filhinho rebelde. Nessa situação, freqüentemente o bebê parece querer apenas o seio ou a mamadeira e isso provoca a ansiedade da mãe, de que seu filho não esteja crescendo e, sim, insistindo em permanecer um bebezinho de colo. Diante dessas batalhas em torno da comida ajuda muito a mãe se perguntar se é realmente importante que a criança coma ou não "essas ervilhas todas". Ao mesmo tempo, vale a pena ela tentar entender que pode ter acontecido algo que levou o bebê a voltar a querer a mamadeira, esse símbolo dos seus primeiros meses de vida.

OBESIDADE

A infância é um período muito importante e determinante para o bom crescimento e desenvolvimento físico e psicológico da criança, no qual a alimentação desempenha um papel fundamental. Sabemos que nos dias atuais, existe uma contradição muito grande: de um lado as propagandas de alimentos, seja de chocolates, refrigerantes, sorvetes, lasanhas e uma infinidade de produtos "gostosos e atraentes" para comer; e de outro aquele padrão de beleza imposto pela mídia com modelos e atores/atrizes magérrimos(as), de corpo perfeito e que, querendo ou não, acabam influenciando as crianças e até seus pais.
Podemos dizer que a cada ano as pessoas estão comendo mais e de forma errada. São muitos os fatores que interferem na mudança do hábito alimentar dos brasileiros: desde a correria do dia-a-dia até o maior acesso aos alimentos.
A obesidade vem aumentando muito e é conseqüência dos maus hábitos alimentares relacionados a fatores hereditários, falta de atividade física, e muitas vezes a fatores e carências psicológicas. Desde o inicio da vida a relação entre comida e afeto é estabelecida.
A mãe ao alimentar o bebê o alimenta também com amor, segurança, carinho, atenção.....Muitas vezes quando a criança está triste os pais oferecem a ela "algo bem gostoso" para alegrá-la, desse modo em momentos que ela sente falta de segurança, de contato, de amor ela preencherá essa falta com alimentos na fantasia de que estes podem preencher sua falta emocional.
Mais do que problemas estéticos, a obesidade está associada a várias doenças como diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, entre outras; daí a importância de preveni-la desde cedo.
Nenhum pai quer ver seu filho sendo chamado de "gordinho", "baleia",..., sendo excluído do grupo ou não ser convocado para o time da classe, etc. Por isso a importância da intervenção: é muito mais fácil prevenir a obesidade do que tratá-la, afinal crianças obesas tem muito mais chance de se tornar um adulto obeso.
Quanto mais cedo identificada, mais fácil de corrigi-la; é importante prestar atenção em como seu filho é em relação aos outros: ao leva-lo na escola procure observar o tamanho do seu filho com relação aos colegas de turma e assim você começa a ter um parâmetro.
Além disso, verifique como está o crescimento de peso e altura do seu filho em relação às curvas de crescimento. Se ele já estiver acima do "normal" é bom começar a rever seus hábitos com relação a seu filho, para minimizar os riscos futuros!!!

http://www.vidadecrianca.com.br/dificuldadesalimentares.htm

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domingo, 8 de outubro de 2006




Folhas

A folha que dança no ar
Que vem cair aos teus pés
Que canta ao teu pisar
E não sabe quem tu és.

A folha que acorda no chão
E procura companhia
A folha que já foi verde
E alegrou o teu dia.

A folha que apanhaste
E colaste num papel
É uma folha de Outono
Que pode ter tantas cores
Como as cores
Do teu pincel.

Ana Cristina Correia, O Livro das 4 Estações





Outono

Quando chega o Outono
Caem castanhas no chão
Umas vão dentro do bolso

As outras levo na mão.


Eu gosto de apanhar folhas

Ouvir o vento a soprar

Correr pela estrada fora

Como se fosse voar.


Ana Cristina Correia,
O Livro das 4 Estações






terça-feira, 3 de outubro de 2006




Inspirações...



Vamos dar as Boas Vindas ao Outono?

Ideias...

  1. Dar um passeio com as crianças, explorando as cores, os cheiros, as texturas, o clima. Fazer com que sejam elas, partindo do ambiente que as rodeia, a descreverem o que vêem, sentem e relacionam...
  2. Elaborar um livro com as crianças, utilizando elementos característicos desta estação do ano: folhas, castanhas, casca das árvores... Pode-se utilizar as cores outonais : o laranja, o castanho, o verde seco, o amarelo e o vermelho. Uma técnica especial: e se fizermos um livro que também tenha cheiro? É só aplicar a técnica de esponja em água aromatizada, com chá, canela, café ou mesmo chocolate...mham, mnham!Os fundos das páginas do livro vão ficar mesmo originais. E já sabem, o que conta é puxar pela imaginação!
  3. E que tal vestirmo-nos de Sr Outono?Um Sr Outono simpático,vestido com roupas mais quentes, com canções para ensinar, poesias, ou quem sabe...uma história para deixar as crianças deslumbradas...
Bom Trabalho!

quarta-feira, 27 de setembro de 2006


Para saber mais sobre...


Expressar o interior
através do desenho

Logo que têm idade para segurar num lápis, as crianças começam a desenhar. Mais do que uma brincadeira, os seus desenhos revelam aspectos da sua personalidade, situação familiar e social.

Quando uma criança desenha está a comunicar, está a deixar falar o seu inconsciente. No desenho a criança expõem-se e expõe o modo como interpreta o mundo. Na clínica infantil, explica a psicóloga Manuela Cruz, os desenhos das crianças são fundamentais para a compreensão dos problemas e temores das crianças e ajudam a resolver algumas situações problemáticas. Para a psicologia os desenhos das crianças são uma riquíssima forma de estudar o desenvolvimento emocional e intelectual, a capacidade de percepção e de interpretação. Toda a representação da criança reflecte sobre si mesma e, como tal, os pais têm a tentação de querer analisar os desenhos dos seus filhos. O desenho permite que a criança represente o seu corpo, a sua movimentação no espaço e, sobretudo, que comunique de uma forma diferente da palavra. No entanto, é necessário não esquecer que um desenho só por si não pode revelar tudo. Permite conhecer melhor o seu filho, mas faz parte de um método de análise muito mais vasto, usado pelos especialistas de psicologia infantil, caso contrário, corre-se o risco de tirar conclusões erradas e prematuras.


Um modo de expressão do mundo interior
Observe e demonstre interesse pelos desenhos dos seus filhos. Ao fazê-lo está a aumentar a sua auto-estima. Guarde algumas dessas obras de arte, com a data em que foram executadas, para mais tarde lhe mostrar. Mesmo que não compreenda o seu conteúdo, lembre-se que nenhum risco é feito ao acaso, todos têm um sentido que demonstram a forma de pensar da criança e a sua maneira de interpretar o mundo.

Existem três tipos de desenhos muito reveladores: o desenho da figura humana, o desenho da família e o desenho da casa. Enquanto o seu filho desenha, observe-o. Tome atenção ao local que o desenho ocupa na folha, às cores utilizadas, à ordem pela qual ele expõe os elementos. Repita esta experiência várias vezes e em diferentes dias. Se ele desenhar uma feiticeira, talvez tenha visto um filme sobre esse tema. Se não perceber o que ele desenhou, não desespere e, sobretudo, nunca faça comentários depreciativos. O desenho das crianças também evolui com a idade e não se rege pelos padrões estéticos dos adultos. Uma das características dos desenhos das crianças mais pequenas é a de poderem estar de pernas para o ar, ou a subir. Tal acontece porque as crianças ainda não aprenderam a considerar os limites da folha de papel, não têm pontos de referência nem estão preocupados com as questões da gravidade. Mais tarde, a par do seu desenvolvimento intelectual, vão aprender a usar o limite inferior da folha, como referência, para organizar o desenho e a orientá-lo da esquerda para a direita como aprendem com a escrita. Lembre-se que o desenho também serve para dar asas à imaginação. Pergunte-lhe quem é que ele quis representar e conversem sobre o desenho. Com certeza o seu filho vai ensinar-lhe muitas coisas e estes momentos de interacção e diálogo são muito importantes para o seu filho. O processo de aprendizagem das crianças envolve interacção. Quando tenta desenhar o que observa, imagina a opinião dos que o amam e apreciam o seu trabalho; corresponder a essas expectativas ajuda à aprendizagem e aumenta a auto-estima e a confiança em si próprio. Se gostar e lhe apetecer até podem desenhar em conjunto.

A linguagem das cores

A criança utiliza as cores para imitar a natureza, mas também segue o seu inconsciente, o que é muito revelador.
Contudo, as relações que de seguida apresentamos não podem ser entendidas de modo estrito, nem alarmista.
Constituem apenas indicadores, de referência possível, em contexto de análise mais alargado e especializado.

Vermelho. A sua utilização excessiva antes dos seis anos é normal. A partir daí pode indicar tendência para a agressividade e falta de controle emocional.

Azul. Utilizado por crianças com menos de cinco anos revela um comportamento mais controlado do que as que utilizam o vermelho. Substitui o castanho quando a criança renuncia a permanecer bebé.

Castanho. Se for dominante, pode ser sinal de má adaptação familiar e social.

Verde. Traduz principalmente as relações sociais. No caso de ser dominante, existe um risco de inibição.

Preto. Utilizado em qualquer idade, traduz angústia. Durante a puberdade, revela o pudor dos sentimentos.

Violeta. Reflecte inquietude e ansiedade. Raramente utilizado por crianças.

Amarelo. Muitas vezes associado ao vermelho, pode exprimir uma grande dependência relativamente ao adulto.


Notas sobre o desenho infantil
Por Teresa Ferreira, pedopsiquiatra psicanalista
«O jogo e o sonho são modos de expressão do mundo interior de crianças, e instrumentos para a sua compreensão, usados por psicoterapeutas da infância.
Nas consultas e sessões de tratamento cria-se um clima de neutralidade que facilita a libertação dos afectos, dos conflitos, das ansiedades menos conscientes.
Do desenho tiram-se significantes que nos permitem entender o lado mais autêntico e, por vezes, escondido de cada criança. Seria diferente o seu significado se o desenho fosse executado sob sugestão directa do observador, como acontece nos meios escolares onde a espontaneidade é bloqueada pelas exigências do meio.
De imediato podemos dizer, face a um desenho espontâneo, que se tratou de um conteúdo simbólico rico ou pobre. Rico se exprime uma cena, uma acção que deve ser ligada à narrativa do autor do desenho, expressando a riqueza da sua vida mental.
Conteúdos fragmentados, incompletos, de narrativa confusa, seriam sinais de pobreza ou desorganização de vida interior. O desenho é de início, aos dois / três anos, não figurativo mas de imediato tem uma forma e pode ter sempre um conteúdo rico no plano simbólico. Pode ler-se a adequação à idade e o nível do conflito que é expresso - conflito de perda, segurança, solidão, destruição, perseguição ou exprimindo fantasias adequadas à idade e à realidade cultural em que está inserida cada criança, de prazer, de pena, de estar consigo própria e com os outros.
Quando à cor: distinguimos o vermelho como ligação a conteúdos sexuais, de excitação em cenas como o jogo, a lava do vulcão, o vestido de menino que se quer exibir no fazer notar.
O branco simbólico do vazio, do nada.
O negro ligado a afectos de culpa, de raiva, de desejo destrutivo mortífero, segundo o conteúdo simbólico em que se insere.
O azul e o verde, mais ligados à área dos objectos de tranquilidade e de prazer.
Na linguagem psicodinâmica os objectos distinguem-se em afectos agressivos ou libidinais, de ódio ou de amor, ou de ambos, interligados. Podem ser voltados para o próprio em amor por si "mesmo" - que no desenho tomam a forma de fantasias de grandiosidade como ser o super-homem, o herói de cena, ou a princesa, a rainha, etc, ou afectos voltados para o exterior em ataques a personagens, a maus, a ladrões, etc.
Exprimem-se afectos de solidão na casa vazia e isolada, na imagem solta no espaço sem ninguém no horizonte como referência de segurança e protecção».

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Ideias

A nossa sala, Sala da Alegria, tem um Correio... Cada menino tem uma mola, onde se prendem convites de aniversário, recados para os pais não se esquecerem (fraldas, toalhitas, etc), mensagens com pedido de material para as actividades (rolos de papel higiénico, tampinhas,...). Enfim, é uma forma engraçada de comunicar com os pais e de contribuir para que as crianças se tornem mais autónomas e responsáveis: "Mãe...hoje tenho correio! Lê lá..."

O nosso correio ficou assim...






Adoro ler...


Pão com doce

Sabe mãe, eu não quero ser grande. Quero olhar para as estrelas e pensar sempre que elas tocam no céu, quero imaginar que vivem anjos nas nuvens e que Deus faz lá em cima grandes patuscadas com o seu filho Jesus e outros amigos, que não há horas nem minutos, só dia quando começa a luz e noite quando as estrelas iluminam a cidade, lá ao fundo da janela, feita de mil luzinhas amarelas e brancas.

Sabe mãe, eu não quero crescer. Quero continuar a achar que a casa é tão grande que posso fazer corridas de triciclo até ficar com a língua de fora, quero puxar sempre um banco para ir buscar o iogurte escondido na prateleira do frigorífico, fazer equilibrismo cada vez que tenho de sair da banheira e pensar que o mundo está cheio de pais, mães, avós, tias e primas todas lindas, com a pele lisa e bem cheirosa que passam o tempo a dar-me beijinhos e presentes.

Eu sei que estou a crescer, os sapatos deixam de me servir de um mês para o outro, as calças roçam-me os calcanhares e as mangas das camisolas encurtam, caem-me dentes todas as semanas e já me disseram lá na escola que agora é que vou ter dentes a sério como as pessoas crescidas, mas eu não acredito, quero os meus dentes de volta para poder mastigar o bife e o pão com doce.

Também me dizem que daqui a um ano e picos me vou sentar numa carteira, vou ter livros e cadernos, vou aprender a ler e a fazer contas, não me importo nada, até acho boa ideia. O pior é que depois vou ter trabalhos de casa e quando acaba a escola eu quero é ir para o escorrega, encher a cara de areia, andar de baloiço até quase dar a volta perto do céu e esconder-me atrás dos troncos das árvores, muito direitinho sem ninguém me ver e quando a mãe chega e se põe à minha procura eu transformo-me no Homem Invisível e depois apareço de repente e voltamos os dois para casa.

A mãe liga a música e cantamos em coro a história daquela sereia que queria ser menina, da baby-sitter que voava pendurada num guarda-chuva, do rapaz pobre que encontrou uma lamparina e descobriu que o melhor amigo dele era um génio, da menina que derreteu o coração de um monstro e fez dele um homem. Ponho o cinto, não vá aparecer um senhor de bigode vestido de azul com um boné a dizer polícia que mande parar o carro e passe um papel branco com letras e números que deixam a mãe mesmo chateada.

No caminho de regresso há muitos risquinhos brancos na auto-estrada e muitos candeeiros ao pé do céu, tantos que a certa altura desisto de os contar e quando está calor posso abrir a janela e sentir o vento na cara a empurrar-me o cabelo para trás da cabeça e então fecho os olhos até metade e sonho com um hambúrguer gigante cheio de surpresas e uma bebida com bolhinhas para o jantar.

Quando crescer, tenho medo de andar sempre cansado, de já não gostar de ver o mesmo filme três vezes seguidas, de não me divertir a jogar o dominó nem a brincar às escondidas dentro dos roupeiros onde cheira a sabonete e as camisolas fazem uma espécie de almofada muito fofinha onde me sento em silêncio à espera que me descubram.

Sei que ainda faltam muitos anos para que essas coisas todas horríveis me aconteçam, que antes de me tornar um homem ainda vou mudar de voz, a cara vai semear-se de pêlos estúpidos, os meus pés vão ficar do tamanho dos de um gigante e nem vou perceber o que me está a acontecer.

Mas enquanto esse dia não chega, só me apetece brincar, dar beijinhos às pessoas de quem gosto, adormecer com a cara encostada à mão da minha mãe e pensar que ela é a mais linda e a mais querida e que vai estar sempre à minha cabeceira, quando à noite fecho os olhos e imagino que dou a volta ao mundo numa largada de balões de todas as cores...

Crónicas da Margarida de Margarida Rebelo Pinto

segunda-feira, 25 de setembro de 2006


Quero dar as boas vindas a todos os visitantes deste blog...e agradecer desde já a visita!
Espero que este espaço seja um espaço de partilha de emoções, de ideias, de conhecimento sobre o mundo encantado desses seres maravilhosos que são as CRIANÇAS.
Sou Educadora de Infância e estou presentemente a trabalhar com um grupo de crianças com idades compreendidas entre os 24 e os 36 meses. É o primeiro ano que estou em Creche e estou a gostar muito... A minha sala é a SALA DA ALEGRIA!
O INÍCIO

Os primeiros dias foram complicados: os choros, "Eu quero a mãe...", os vómitos... Eu pegava-os ao colo, dava-lhes miminhos, falava-lhes baixinho, cantava (oh se cantava...), e a pouco e pouco, eles me íam olhando com os olhos grandes, já mais calmos e atentos.

Exploravam o espaço, os legos, os livros, a BOLA...e num momento quase que se esqueciam daquela dor tão grande, a dor da separação, das saudades com sabor a abandono.

Depois os dias foram passando, as crianças foram-se habituando, ao espaço, às pessoas, ao grupo de crianças. A banda sonora da nossa sala já vai sendo a alegria...